Novo tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros acende alerta para exportadores de Santa Catarina

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O anúncio de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos deve impactar severamente a economia de Santa Catarina a partir da próxima quarta-feira (22). De acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o estado, ao lado de São Paulo, é um dos mais afetados pela medida, que atingirá cerca de 2.375 produtos e movimentará negativamente US$ 7,2 bilhões em exportações nacionais.

Diante desse cenário de incerteza, especialistas apontam que a diversificação de mercados não é mais apenas uma opção, mas uma necessidade de sobrevivência. O advogado especialista em negócios internacionais, Bruno Albuquerque, ressalta que o "tarifaço" serve como um alerta estratégico para o empresariado catarinense.

“O tarifaço não representa apenas um aumento de custo para o exportador. Ele evidencia o risco de concentrar parte importante da operação em um único mercado. Quando uma decisão externa torna a atividade imprevisível, a diversificação deve integrar o planejamento e a proteção do próprio negócio”, afirmou Albuquerque.

**União Europeia e o papel de Portugal**
Com a vulnerabilidade do mercado norte-americano, a União Europeia surge como o destino prioritário. A ApexBrasil já anunciou um plano de R$ 130 milhões para buscar novos compradores para os produtos afetados. Portugal, por sua vez, aparece como uma porta de entrada estratégica devido à facilidade do idioma e proximidade cultural.

No entanto, o especialista adverte que a transição exige cautela e análise técnica. Segundo Bruno Albuquerque, exportar para o bloco europeu demanda estudo minucioso sobre tributação, logística e regulação. “A União Europeia não deve ser tratada como uma solução automática, assim como Portugal não pode ser visto como um atalho”, pontuou.

O advogado reforçou ainda que a internacionalização planejada é o melhor caminho para reduzir a dependência de um só país. “Antes da expansão, a empresa precisa avaliar a viabilidade comercial, os custos e a estrutura jurídica e tributária necessária. Internacionalizar com planejamento pode reduzir dependências, mas agir apenas em reação à crise pode criar riscos”, explicou o especialista.

A entrada no mercado europeu pode ocorrer de diversas formas, desde a exportação direta e parcerias locais até a instalação de estrutura própria, dependendo do porte e do objetivo de cada empresa catarinense.